32.000 Poças de Fogo. Silencioso.

21

Março de 2022.

Os Açores estão a tremer. Especificamente a ilha de São Jorge, ao largo da costa de Portugal. Milhares de terremotos. Mas nada explode. O magma parou. Apenas 1,6 km subterrâneo. Fechar. Tão perto.

Foi uma operação furtiva. O magma subiu das profundezas – 20 quilômetros abaixo, veja bem – em questão de dias. E trouxe consigo uma enorme carga de rocha derretida. O suficiente para encher 32 mil piscinas olímpicas. Imagine isso. Um rio de fogo, silencioso e rápido.

O problema? A maior parte não emitiu nenhum som. Os monitores sísmicos captaram muito pouco durante a subida. Os terremotos ocorreram com força apenas depois que o magma interrompeu sua subida. Uma erupção fracassada. Os cientistas chamam assim. Uma “intrusão furtiva”.

“O magma moveu-se rapidamente através da crosta. Silencioso, principalmente. Previsão? Quase impossível.” – Dr.

Como eles rastrearam o invisível

Você não pode ver o magma se movendo cinco quilômetros abaixo. Você precisa de ajuda. Muito disso.

Desta vez, os pesquisadores combinaram sismógrafos em terra e no fundo do oceano. Satélites observaram a superfície da ilha. GPS rastreou milímetros de movimento. Os dados contaram uma história.

O chão subiu seis centímetros. Pequena quantia. Enorme implicação. Isso significava que a pressão estava aumentando por baixo. O magma havia entrado na crosta rasa. Mas isso nunca aconteceu. Ele parou. Encurralado.

Isso não é exatamente raro. O magma subterrâneo move as coisas, remodela ilhas, constrói vulcões. Mas normalmente vemos conversas sísmicas maiores ao longo do caminho. Aqui, o sinal estava turvo. Confuso. O novo estudo, publicado na Nature Communications, mapeou este caos com uma clareza incomum. Mostra-nos o encanamento sob a rocha.

A falha geológica era tanto a rodovia quanto o sumidouro

Havia uma rota. Um caminho.

Zona de Falha do Pico do Carvão. Um ponto fraco conhecido. Antigos vestígios de terremoto alertavam que era instável. Capaz de grandes tremores. Mas desta vez? A falha funcionou como um trilho-guia para o magma. Para cima.

Também atuou como uma válvula.

Os gases escaparam. Os fluidos vazaram lateralmente através de rachaduras na falha. A pressão caiu. O motor da erupção perdeu força. O magma não explodiu a tampa. Tudo resolvido.

Portanto, a culpa era um paradoxo.

“A falha funcionou como uma rodovia. E um vazamento.” — Dr. Pablo J. González

Deixou o magma subir. Mas também sangrou. Nenhuma grande explosão. Apenas milhares de solavancos menores ao longo da fenda. A ilha tremeu, estremeceu e depois voltou a assentar.

O que isso significa para amanhã?

Ainda somos ruins em prever isso.

Rápido. Magma silencioso. Isso é perigoso porque ignora os primeiros sinais de alerta. Os grandes sistemas de falhas ditam o resultado. Eles selam isso? Eles deixam escapar? Ainda estamos aprendendo.

As autoridades locais usaram os dados. Informações em tempo real os ajudam a decidir: evacuar ou observar e esperar. Combinar dados offshore e onshore faz a diferença. Dá-lhe uma imagem 3D, não apenas um palpite.

O Dr. Ricardo Ramalho, da Universidade de Cardiff, destacou o valor. A mistura de tecnologia foi fundamental. Fazer com que tudo funcionasse em conjunto, além-fronteiras, não foi uma tarefa fácil. A professora Ana Ferreira da UCL destacou a logística. Financiamento urgente, partilha de equipamentos entre Reino Unido, Espanha, Portugal. A cooperação salva vidas, potencialmente. Ou pelo menos evita que você fique perto de um vulcão em erupção quando não é necessário.

Aconteceu em março de 2022. Agora temos os mapas. O magma desapareceu ou está preso no fundo. Mas as falhas permanecem. Perguntas abertas. A terra se move silenciosamente abaixo de nós.